Como as Olimpíadas 2016 podem ser abordadas no vestibular?

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Para se dar bem no vestibular, o estudante não pode somente se afundar nos livros. Hoje, a maioria das universidades exige em suas provas que os candidatos tenham um olhar atento e crítico ao que acontece no mundo.

Presentes em todas as disciplinas, até mesmo nas de exatas, as temáticas de atualidades têm sido abordadas com o intuito de medir a habilidade dos estudantes em relacionar criticamente o que acontece no do dia a dia com tudo o que foi visto em sala de aula.

Os candidatos que estão se preparando para o vestibular vivenciam constantemente a incerteza de quais desses temas serão cobrados no exame. Os mais discutidos em meios midiáticos e nas próprias redes sociais, ou os que marcaram o ano de alguma forma, têm sido os favoritos nas provas de vestibular e Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Violência contra a mulher, Lei Seca, mobilidade urbana, crise econômica, lixo eletrônico foram alguns dos assuntos cobrados nos principais vestibulares do Brasil em 2015.

Embora a maior insegurança seja em relação à redação, há sempre a possibilidade dos fatos do cotidiano aparecerem também nas questões de outras áreas de conhecimento como: Geografia, História e, até mesmo, Matemática.

É essencial que o estudante reserve uma parte do seu dia para acompanhar jornais, sites e revistas não apenas do Brasil, como de todo o mundo. E a internet pode ser uma importante aliada nessa pesquisa.

No post de hoje, te apresentaremos um dos temas mais discutidos desse ano e como ele pode ser abordado nos principais vestibulares do país: as Olimpíadas 2016. Confira!

Como o aluno pode se preparar para as Olimpíadas 2016 em provas?

Independentemente do formato da abordagem (tema de redação ou questão objetiva), o candidato deve se preparar de duas maneiras: buscando conhecimento sobre o evento e aperfeiçoando sua escrita para dissertar sobre o tema.

Em se tratando da primeira, na qual nos focaremos, é necessário que o candidato busque informações gerais sobre o evento, qual a sua importância e o impacto para a sociedade brasileira. A partir deste dossiê, é possível articular as informações e as possibilidades de aplicações do tema no exame.

As Olimpíadas 2016 foram sediadas no Brasil. A escolha foi feita em 2009 e essa foi a primeira vez em que os Jogos Olímpicos ocorrem na América do Sul. O evento foi extremamente relevante e volta à atenção do mundo todo para o Brasil. Sobretudo, volta atenção dos próprios brasileiros para o país, pois o compromisso de sediar os jogos trouxe consigo a necessidade de uma autoanálise das condições infraestruturais, sociais e providenciais de melhoramentos.

As articulações governamentais davam conta de que o grande problema a ser resolvido antes dos jogos era o de infraestrutura: transportes/mobilidade, despoluição das águas e hotelaria. Mas outras necessidades de investimento foram identificadas, como: a segurança pública e o desenvolvimento dos atletas brasileiros. Outro resultado direto das Olimpíadas foi a geração de empregos.

Entender esses pontos elencados e dominar o conhecimento sobre o tema pode ser o diferencial dos candidatos que pretendem prestar vestibular. Mais que isso, permite que este candidato se posicione frente ao assunto de forma segura e clara.

Mas atenção: para que o estudo seja realmente proveitoso, é necessário que o candidato aprofunde na temática e faça articulações com os cenários nacional e internacional. Para facilitar seus estudos, listamos algumas abordagens possíveis:

Despoluição das águas

Tendo em vista que grande parte das modalidades dos Jogos Olímpicos ocorreu na água, o Rio de Janeiro precisou iniciar o processo de despoluição de suas águas. As questões que mais foram recorrentes na mídia trouxeram a falta de planejamento atrelado aos poucos estudos de Estudo de Impacto Ambiental (EIA). 

Inclusive, em alguns casos, o Ministério Público do Rio embargou algumas obras sob essa justificativa. Em seu dossiê de candidatura, o Rio se comprometeu a tratar 80% do esgoto até 2016, mas as especulações atuais preveem que isso só deva ser alcançado em 2030.

Ao candidato cabe se informar sobre os investimentos nesse processo, sobre os índices de (in)sucesso das obras e principais queixas da população (ou motivos de aprovação popular). 

Não só nesse caso, como nós tópicos seguintes, o candidato poderá ser convidado a dissertar se o alto investimento do governo não teria maior proveito caso fosse direcionado a outros setores como saúde e educação. Embora seja uma fala do senso comum, é perfeitamente plausível que o candidato tenha que argumentar sobre o assunto. Atente-se para todos os possíveis pontos a serem abordados.

Articulando com o cenário nacional, o exame pode abordar o investimento nesse processo em detrimento do investimento para resolver a crise hídrica brasileira. O estudo de um tema não deve se sobrepor aos outros. Por isso, não deixe de acompanhar o que está acontecendo no restante do Brasil.

Mobilidade e transporte

O principal questionamento ao candidato, neste caso, pode ser da possibilidade do Rio, assim como o resto do país, não estar tão preparado para receber uma carga tão grande de turistas. As articulações com o cenário nacional podem abordar a falta de investimento no setor ao longo dos anos. E a falta de investimento em formas de transportes alternativos e sustentáveis.

Em articulação com o cenário nacional, os questionamentos podem seguir os mesmos pontos fazendo relação com a polêmica da implementação de ciclovias em alguns estados.

Segurança pública

A operação que cuidou da segurança pública durante os jogos já é considerada uma das maiores da história do Brasil. Por ser um fator que apresenta destaque não apenas pelo tamanho, mas pela demanda atual, esse é um tópico sobre o qual o candidato deve se manter informado.

Como o evento ocorreu no Rio de Janeiro e este é um estado com altos índices de violência, inclusive, com casos icônicos, como o do ciclista assassinado na Lagoa Rodrigo de Freitas, vale uma atenção redobrada do candidato.

Pacificação de comunidades, o investimento e a situação do contingente policial não devem ser descartados. Algumas abordagens possíveis podem relacionar o aumento do turismo à necessidade de preparar o setor da segurança pública em diversos aspectos, por exemplo: capacitação dos agentes de segurança pública (policiais civis, militares e guardas municipais) na comunicação com os turistas; abordagem correta; uso de armas; planejamento preventivo e, por fim, táticas usadas para lidar com ações terroristas.

Esses quesitos tiveram grande destaque nos jogos olímpicos, principalmente, por polêmicas como a envolvendo o nadador estadunidense Ryan Lochte, que simulou um falso assalto, após se envolver em uma confusão em um posto de gasolina; a morte de um dos militares alvejados na Vila João, no Complexo da Maré ou o apedrejamento a um ônibus designado ao transporte de jornalistas.

Se tratando do temor em relação as ameaças de atentados terroristas durante as Olimpíadas, há, também, a possibilidade de uma abordagem que leve em conta o cenário mundial, com os principais casos de terrorismo que assustaram o mundo em 2016, como o da cidade francesa de Nice e no aeroporto da Bélgica.

A abertura para esse enquadramento se deve ao fato de o Brasil ter sido palco de um evento de grande porte que trouxe atletas, delegações e torcedores de todo o planeta. O que o colocou como alvo de possíveis ataques.

Geração de empregos e desenvolvimento

O candidato pode ser perguntado, ainda, sobre a geração de renda e receita (bem como suas aplicações) que resultaram desse evento. Nesse caso, há pontos negativos e positivos.

No caso da geração de empregos, por exemplo, em grande parte dos casos, tratou-se de trabalhos temporários, muitas vezes voluntários, portanto, houve um impacto positivo na economia, mas que não será a longo prazo — e, neste sentido, será um ponto negativo.

Em outra ponta, a mesma ação tem um impacto completamente positivo sobre a qualificação das pessoas que assumiram funções durante os jogos. A qualificação não é temporária: ela será um legado. Para além disso, o profissional que se preparou para assumir qualquer função durante os jogos, possivelmente, recebeu preparo em outros idiomas.

Crise dos refugiados

A instabilidade política e o terror provocado pelas guerras civis e pelo Estado Islâmico, em países como a Síria e a Líbia provocou uma emigração em massa de mais de 350.000 pessoas de territórios islâmicos em direção à Europa, gerando a chamada crise dos refugiados.

O tema ganhou destaque na imprensa mundial em 2015, principalmente pela foto do menino sírio Aylan Kurdi que morreu afogado ao tentar chegar à Turquia pelo mar.

Durante as Olimpíadas 2016, esse tema se tornou ainda mais evidente, graças a primeira delegação de refugiados formada por dez atletas do Sudão, Síria e do Congo. Competindo em categorias como natação, atletismo e judô, os atletas vivem atualmente no Brasil, na Bélgica, Alemanha, Quênia e Luxemburgo.

Mesmo sem medalhas, a participação da delegação chamou a atenção em todas as competições, por conta da dimensão que a crise dos refugiados vem alcançando. Entre o ano de 2012 (nos jogos olímpicos de Londres) até hoje, o número de refugiados e asilados no mundo chegou aos 19 milhões.

O estudante deve ficar atento aos elementos históricos que impulsionaram os conflitos e guerras, os principais países de origem dos migrantes e refugiados que chegam à Europa em busca de asilo, e as consequências que esse processo migratório tem trazido para o resto do mundo.

Outro tema que pode ser abordado nos vestibulares é a relação dos esportes com a capacidade de sobrevivência e superação desenvolvida por esses atletas, mesmo diante de situações tão dramáticas enfrentadas em seus países.

Questões políticas

A crise política brasileira e os temas relacionados a ela como o impeachment, eleições, formação da democracia em 1985, e a operação Lava Jato podem ser questões abordadas nos vestibulares, no quesito atualidades e também em história.

As Olimpíadas 2016 foram palcos de protestos e trouxeram aos olhos do mundo os principais problemas políticos e sociais do país. Além das tentativas de apagar a tocha olímpica e dos cartazes e vaias contra o atual presidente do Brasil, Michel Temer, os jogos olímpicos foram marcados também por protestos de outros atletas sobre a situação de seus países.

Um dos casos mais marcantes, noticiado por toda imprensa internacional, foi o do maratonista etíope Feyisa Lilesa, que fez um gesto de protesto durante a cerimônia de premiação como forma de mostrar descontentamento com o atual governo do seu país.

O estudante também deve prestar atenção ao poder político que as Olimpíadas possuem. Como um espaço aberto onde estão concentrados todos os olhos do planeta é muito comum que atletas e torcida aproveitem a oportunidade para trazerem mensagens importantes para o mundo.

Os jogos de 1936, realizados em Berlim (capital da Alemanha), por exemplo, se tornaram um grande símbolo contra o regime nazista e a crença da supremacia ariana sustentada por Adolf Hitler, após a vitória do atleta negro Jesse Owens em quatro provas de atletismo. Já em 1968, na Cidade do México, dois corredores americanos, Tommie Smith e John Carlos, durante a premiação de ouro e bronze dos 220 metros rasos, levantaram os punhos em referência ao grupo Panteras Negras, que lutava pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. 

Nesse quesito é importante que o estudante se informe bastante e defina um posicionamento coerente sobre o cenário atual, principalmente na redação, em que serão avaliadas a capacidade de argumentação, a coerência e a coesão sobre o que está sendo dito.

Inclusão

Após conquistar a primeira medalha de ouro para o Brasil, a judoca Rafaela Silva virou um exemplo de algo que pode se tornar o maior legado das Olimpíadas 2016: a inclusão. Com um desabafo sincero sobre os ataques racistas que sofreu na internet após as derrotas nas Olimpíadas de Londres em 2012, Rafaela chamou atenção para a importância de debater temas sociais que têm sido muito comentados nos principais vestibulares ano após ano – como racismo, homofobia e direito das mulheres.

As Olimpíadas 2016 foram um destaque para as mulheres em esportes individuais e coletivos como o futebol, para os atletas brasileiros negros e oriundos de comunidades pobres do país, como os baianos Robson Conceição, ganhador da primeira medalha de ouro do boxe olímpico brasileiro, e Isaquias Queiroz, o primeiro atleta brasileiro a conquistar três medalhas na mesma edição dos Jogos.

Além da inclusão social, o estudante pode se deparar com questões ligadas à inclusão de transexuais, lésbicas, travestis e gays em espaços de visibilidade. A modelo transexual Lea T, por exemplo, fez história ao apresentar a delegação brasileira na abertura do evento. O mesmo aconteceu com o pedido de casamento da voluntária Marjorie Enya e Isadora Cerullo, jogadora de rugby da seleção brasileira, que ganhou destaque nos maiores veículos de comunicação do país.

Reunimos aqui algumas das questões mais relevantes sobre as Olimpíadas 2016, mas como já mostramos, os vestibulares costumam surpreender e abordar assuntos imprevisíveis. Por isso, o estudante deve ficar atento a tudo o que acontece no cenário nacional e internacional, além de questões históricas que podem ser contextualizadas com os temas da atualidade.

E você como tem se preparado para o vestibular? Ficou atento a todas as notícias sobre os Jogos Olímpicos? Não deixe de nos seguir nas redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram) para acompanhar as novidades do site e outros temas importantes para a sua prova!

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