Direito x Relações Internacionais: o que fazer para ser diplomata?

Tempo de leitura: 6 minutos

Todos os anos, milhares de pessoas concorrem para o cargo de diplomata no Brasil. O diplomata é o profissional que representa o seu país em outras nações, estabelecendo acordos, dando suporte a viajantes e imigrantes, promovendo interesses de seu país, entre outras funções. Para ser diplomata, é preciso realizar um concurso público que ocorre anualmente, desde 1946, e é promovido pelo Instituto Rio Branco.

A carreira exige formação em qualquer curso superior e, embora não seja obrigatório, muitas pessoas se formam em Direito ou Relações Internacionais visando esse objetivo profissional.

Conheça um pouco mais sobre a carreira e veja também os diferentes olhares que os cursos de Direito e RI oferecem em relação a essa função!

A carreira de diplomata

Ser diplomata é de fato um objetivo profissional bastante desafiador, tanto em relação ao processo seletivo, o Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD), quanto às funções desempenhadas por esse profissional, que envolvem negociar com centenas de países e representar a sua nação nas diversas frentes internacionais que ele participa.

Portanto, como é de se imaginar, é preciso alcançar um nível de conhecimento bastante profundo acerca dos temas que circundam esse trabalho. A começar pelo concurso público que se divide em três fases. São elas:

  1. Prova objetiva com as disciplinas: Português, História do Brasil, História Geral, Inglês, Geografia, Política Internacional, Direito e Economia;

  2. Prova escrita de Português, com testes de interpretação e redação;

  3. Prova escrita contendo as seguintes disciplinas: História do Brasil, Geografia, Política Internacional, Inglês, Noções de Direito, Direito Internacional Público e Noções de Economia, mais prova objetiva de Espanhol e Francês.

Diante disso, observa-se que é uma carreira que demanda bastante tempo de estudo, bem como uma formação acadêmica bem ampla.

No entanto, percebe-se também que uma formação na área das Ciências Humanas possui mais relação com a ocupação, incluindo as próprias disciplinas referentes ao concurso. Tal fato pode se atribuir também ao próprio perfil vocacional dos profissionais.

É comum ver vocações multidisciplinares na carreira diplomática, incluindo músicos, artistas e escritores. Um exemplo famoso é o poeta Vinicius de Moraes, que foi também diplomata, além de ter atuado em áreas como a literatura, música e teatro.

Área das Ciências Humanas

A carreira diplomática passa por diversas questões humanitárias importantes, exigindo do profissional uma visão de mundo bastante comprometida com as bases do desenvolvimento da sociedade, incluindo aspectos históricos, sociais, demográficos e simbólicos (como a linguagem). Sendo assim, há uma tendência maior de busca pela carreira entre estudantes e profissionais das áreas de Humanas.

Logicamente, o fato de alguém ser formado em Engenharia não impede que ele preste o concurso público, pois o conhecimento nas áreas referidas é um patrimônio intelectual comum a todas as áreas de estudos, embora não seja necessariamente aprofundado nas ciências exatas.

Portanto, uma pessoa que esteja interessada em ser diplomata precisa ter em mente que, independentemente da sua formação acadêmica, é preciso se dedicar aos saberes relacionados às Humanidades.

Direito x Relações Internacionais

Sendo duas das principais escolhas de futuros diplomatas, os cursos de Direito e Relações Internacionais oferecem uma base teórica sólida para o CACD.

Como vimos acima, grande parte do conteúdo programático das provas cobre conhecimentos básicos e específicos de Direito e Políticas Internacionais. Logo, é de se esperar que os cursos estejam entre as preferências para quem escolhe esse caminho.

No entanto, quando há dúvida entre as duas trajetórias acadêmicas, existem pontos importantes a serem esclarecidos a fim de facilitar a escolha.

Veja alguns aspectos particulares dos cursos de Direito e RI em relação à carreira diplomática.

Direito

Todos os ramos do Direito são passíveis de relacionamento com a diplomacia, principalmente, é claro, o Direito Internacional Público. Essa relação ocorre desde tempos remotos e se prolongou com a criação das embaixadas permanentes.

Além de negociar, a diplomacia possui um compromisso com a proteção dos direitos de seu país e, portanto, transmite uma ideia bastante familiar ao Direito.

Para uma compreensão completa e eficiente das funções diplomáticas, é de extrema importância o domínio do conhecimento da Teoria Geral do Direito no que se refere a conceitos como atos jurídicos, pessoas jurídicas, competência, responsabilidades, entre outros.

Além disso, é comum existir também a necessidade pelo conhecimento de direitos civis nas missões diplomáticas e repartições consulares. É importante lembrar, também, que o próprio concurso cobra bastante conhecimento na área.

Relações Internacionais

Embora muitas pessoas pensem que o curso de Relações Internacionais seja quase uma preparação direta para a carreira diplomática, não é bem assim que o curso funciona. Há muitas outros assuntos englobados na carreira de RI.

Além de seguir a carreira diplomática, que é, sim, uma possibilidade para quem faz o curso, o profissional pode se compremeter em diversas outras áreas como:

  • Comércio internacional;

  • Inteligência competitiva;

  • Assessoria de governos e empresas;

  • Negociações internacionais concernentes a temas globais, como direitos humanos;

  • Análise de riscos políticos;

  • Pesquisa acadêmica;

  • Consultorias estratégicas;

  • Planejamento estratégico, etc.

Dentro de cada atuação, há uma série de fatores contidos que possuem mais relação com escolhas pessoais, aptidões e vocações do que, necessariamente, com a decisão pelo curso.

Conclusão

Não é difícil perceber que ambas as áreas têm muito a oferecer para quem deseja seguir a carreira diplomática, embora tenham enfoques diferentes.

A escolha por um curso apenas direcionará o caminho, porém, como há toda uma preparação antes de ser realizado o processo de admissão e até mesmo após a aprovação, ela não determinará o rumo do futuro diplomata.

A dedicação específica para o cargo pode ser conquistada tanto por um profissional formado em Direito quanto por um formado em RI, pois um e outro precisam ter os conhecimentos requeridos pela função.

É preciso levar em conta que diante de uma escolha como essa, fatores pessoais exercem um peso importante para seguir com a carreira.

Os objetivos individuais devem estar alinhados com as possibilidades e condições que ser diplomata oferece, principalmente, em relação às funções desempenhadas e às mudanças recorrentes que a profissão pode exigir.

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