Empreendedorismo na saúde: saiba como montar sua clínica

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Abrir uma clínica é uma ótima opção para você que se formou ou que se formará na área de saúde. Basta lembrar que, de acordo com o IBGE, a população do Brasil gasta cerca de 20% da renda com saúde valor que chega a 30% no caso das famílias com maior renda. No entanto, você sabe o que levar em conta na hora de abrir uma clínica?

Fatores como localização, capacidade, proximidade de potenciais pacientes e documentação legal exigida são pontos a se considerar se você pretende se enveredar no empreendedorismo na saúde. Confira mais sobre o assunto no artigo de hoje!

Localização

O ponto escolhido para o estabelecimento é crucial para o sucesso de uma clínica ou de um consultório. Fatores como a densidade populacional, o perfil da população do lugar (principalmente média de idade e renda), bem como a facilidade de acesso e de a edificação ser encontrada pelos pacientes são chaves.

Clínicas especializadas tendem a ter maior sucesso em bairros de classe média alta e alta. Não se esqueça de pensar no espaço que será dedicado ao estacionamento e na acessibilidade para idosos e cadeirantes. Fachadas bem cuidadas, atenção à iluminação e ventilação do imóvel também não devem ser negligenciados.

Legalização

Contadores são profissionais centrais na legalização de um empreendimento. Procure um se você precisa de uma orientação regulamentada para criar a sua empresa. Ele te ajudará com toda a papelada do negócio, te orientará sobre os impostos que serão pagos em seu estado e município, bem como sobre as taxas para a operação da empresa que podem variar de lugar para lugar.

Certamente você dependerá de questões como vistoria do Corpo de Bombeiros, consulta na prefeitura sobre a compatibilidade do imóvel com o zoneamento urbano da cidade, bem como de obtenção de alvará de licença sanitária. Este último ponto, aliás, é um dos mais importantes no caso de instituições de saúde.

Suas instalações precisam estar adequadas ao código sanitário. A fiscalização federal de instituições de saúde é feita pela Agência Nacional de Vigilância de Saúde (Anvisa); a estadual e municipal fica por conta das secretarias de saúde.

Legislação e regulamentação da área

Além disso, vale estar atento às leis e outras regulamentações específicas da área da saúde. Há mais 60 mil normas específicas do setor, que podem ser encontradas no Ministério da Saúde. Preste atenção às seguintes:

→ Lei 8.080/1990: Lei Orgânica da Saúde;

→ Lei 8.142/1990: fala sobre a participação da comunidade na gestão do setor;

→ Portaria 2.203/1996: diz respeito à Norma Operacional Básica, sobre a gestão do Sistema Único de Saúde;

→ Resolução 399/2006: Pacto da Saúde 2006, consolida o SUS e apresenta diretrizes operacionais da área.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) também possui uma série de normas específicas para o funcionamento de estabelecimentos de saúde. Não deixe de lê-las:

→ ABNT NBR 15943:2011: sobre gerenciamento de equipamentos de saúde e equipamentos;

→ ABNT NBR 12808:1993: sobre classificação de resíduos dos serviços da saúde;

→ ABNT NBR 12809:2013: sobre gerenciamento de resíduos de serviços de saúde, tratando de fatores como riscos químicos e biológicos, manejos necessários, proteção ambiental e segurança;

→ ABNT NBR ISO 17665-1:2010: fala sobre a esterilização de produtos com o uso de vapor;

→ ABNT ISO/TS 17665-2:2013: também diz respeito à esterilização.

Estrutura da clínica

Além da localização do imóvel e da estrutura externa convidativa, acessível e com estacionamento, não deixe de pensar que a estrutura interna do prédio precisa dar conta da demanda de pacientes esperados, tendo espaço para as seguintes funções:

– recepção para os pacientes;

– banheiros para homens, mulheres e portadores de necessidades especiais;

– expurgo;

– esterilização;

– sala de material de limpeza;

– lavanderia;

– farmácia;

– depósitos de infectantes e resíduos sólidos.

Pense também em fatores como isolamento acústico e térmico do ambiente não hesite em fazer as obras necessárias caso o espaço seja quente ou frio demais, por exemplo.

Quadro de pessoal

O número de pessoas necessárias para operar uma clínica varia muito de acordo com a especialidade com a qual ela atuará, bem como da demanda esperada de pacientes. No geral, o quadro mínimo a ser considerado é o seguinte: um médico especialista no eixo condutor dos trabalhos da clínica, um administrador, dois recepcionistas, um enfermeiro ou técnico de enfermagem e um auxiliar de serviços gerais.

Logicamente, você tem a opção de começar com uma estrutura ainda mais enxuta, como um consultório, em que você, médico, e o enfermeiro ou assistente de enfermagem podem se revezar nas atividades administrativas básicas e na limpeza dos ambientes.

Também é possível contratar profissionais para atuar em dias específicos do mês ou da semana, com o atendimento de especialidades com demandas menores ou mais pontuais.

Nunca se esqueça de prestar atenção às convenções coletivas da área e de respeitar a legislação trabalhista, fugindo de multas e processos além de cuidar do bem-estar, dos direitos e da qualidade de vida dos seus funcionários.

Atração de clientes

A frase é batida, mas faz muito sentido: “propaganda é alma do negócio”. Por isso, não se esqueça de fazer um bom trabalho de divulgação do seu negócio.

Distribua flyers e folders da sua clínica em hospitais, academias, empresas e residências no entorno do seu trabalho. Crie uma página no Facebook e contrate alguém para fazer um site para a sua clínica. Faça com que o seu negócio seja reconhecido como uma referência na área.

Outras dicas

Como um estabelecimento que cuida de pessoas muitas vezes nos momentos mais delicados de suas vidas lembre-se de atuar com uma proposta humanista, com todos os profissionais sempre atentos às dificuldades e aos anseios dos pacientes e de seus familiares.

Por isso, cuide bem da escolha dos profissionais que trabalharão com você, esteja atento às condições de limpeza e higiene da sua clínica e mantenha um ambiente minimamente agradável de se frequentar. Acima de tudo, busque sempre se atualizar e manter a sua equipe atenta às inovações da medicina e de outras áreas da saúde.

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