Guia do futuro médico: como funciona um curso de Medicina?

Tempo de leitura: 28 minutos

“Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência”.

A frase do médico grego Hipócrates (460 a 377 a.C.), considerado o pai da Medicina ocidental, não é apenas o juramento dos recém-formados em Medicina, mas o lema para toda a atuação e trabalho que esses profissionais realizam ao longo de toda a sua vida.

Para Hipócrates, a Medicina deve se apoiar em observações, sobre os fatos, sobre o corpo humano e sobre a sua relação com o meio ambiente. A profissão passou por uma visível evolução social e melhorou a forma como as pessoas vivem, sua expectativa de vida e a sua relação com o próprio bem-estar.

No Brasil, o vestibular para Medicina é o mais concorrido do país. O curso dura, em média, seis anos e possui um currículo muito rigoroso, com os ciclos básico, clínico e o internato. Após esse período, o médico deve se acostumar com a ideia de nunca parar de estudar, ter uma carga horária exaustiva e lidar com situações difíceis. A profissão exige muito conhecimento e controle emocional.

Mesmo sendo uma profissão desejada e disputada, muitos profissionais ainda enfrentam desconfiança e preconceito, devido aos problemas constantes no cenário da saúde brasileira. Porém, mesmo diante das incontáveis transformações, o maior princípio da Medicina deve se manter o mesmo: salvar vidas, independentemente de qualquer circunstância.

Se você deseja atuar nessa profissão, precisa entender tudo o que ela poderá te trazer — das áreas de atuação até as previsões para o futuro. Para te ajudar nessa jornada, reunimos uma série de dicas que te farão entender de verdade o que é ser um médico.

O panorama da Medicina no Brasil

O número de médicos em atividade está aumentando no Brasil. De acordo com dados da Demografia Médica no país, existem mais de 400 mil profissionais formados. Esse número representa em média, 2,11 médicos para cada grupo de mil pacientes.

Uma taxa que se aproxima de países desenvolvidos como Estados Unidos, com 2,5; Canadá, 2,4 e Japão, 2,2. No entanto, muitos médicos atuam em mais de um estado, o que é contabilizado como dois registros diferentes.

Distribuição dos profissionais no Brasil

Outro fator importante a se considerar é a sua distribuição, que continua concentrada nos centros urbanos e na região Sudeste — mais da metade dos profissionais de Medicina atuam nessa área (55,3%).

Dados do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) contabilizam 125 mil, apenas no estado de São Paulo. Cerca de 30% do total de todo o país. A região Norte é a que possui um número menor de médicos no país, apenas 4,4%, seguida da Centro-Oeste, com 7,9%.

Em uma comparação interior x capital, há uma vitória massiva da taxa de médicos na capital do país — uma soma de 4,84 médicos para cada mil habitantes, enquanto as cidades interioranas só possuem 1,23 profissionais. Por isso, o maior número de vagas disponíveis se concentra nessas áreas, que ainda contam com um sistema de saúde deficiente.

Quem são os médicos brasileiros?

Mesmo com 53 diferentes especialidades médicas reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), quase metade dos médicos brasileiros atuam com Clínica Geral, principalmente os mais velhos.

Até o ano de 2014, os homens eram uma maioria esmagadora nos hospitais e nas clínicas do país, mas há uma onda recente de feminização da profissão de Medicina e as mulheres já representam 54,8% do total. Nas faixas etárias até 29 anos, elas já superam os homens.

Cerca de 75,5% trabalham mais de 40 horas por semana. E a maior parte (78%) possui mais de um emprego. O salário médio mensal da profissão é de R$ 16.000.

Previsões para o futuro

Graças à tecnologia, que ampliou o uso de métodos e de softwares inovadores, além de proporcionar o avanço científico, o segmento da Medicina Diagnóstica se tornou uma área promissora, até mesmo para outros profissionais da saúde.

As projeções é que o número de médicos para pacientes cresça ainda mais, com 2,52 médicos por mil habitantes. De acordo com o Cremesp, até 2020, serão mais de 500 mil médicos em todo o Brasil, graças à abertura de novos cursos, ao crescimento de programas governamentais que facilitam a entrada de profissionais estrangeiros, como o Mais Médicos e à facilitação das regras de revalidação de diplomas obtidos no exterior.

Entendendo o curso

Muitos estudantes ao escolherem a Medicina acabam se focando na própria vocação, no status da profissão e na sua remuneração, e esquecem que, para se tornar um médico, é preciso enfrentar uma jornada longa e exaustiva — que levará quase uma década, destinada aos seis anos de graduação e dois anos de residência.

O primeiro passo é entender a graduação e os seus aspectos mais importantes, que vão desde a concorrência no vestibular até a remuneração salarial.

O vestibular

A Medicina é a profissão mais concorrida dentre os vestibulares do Brasil, e o curso que apresenta maior nota de corte no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), oscilando entre 662 e 788 pontos.

Essa alta procura se dá principalmente pela remuneração aos profissionais da área, que a coloca em primeiro lugar dentre as sete profissões mais bem pagas do país, de acordo com o Guia da Carreira.

É o médico quem trabalha pela manutenção da saúde humana, por isso, o curso requer muita dedicação, que começa desde a preparação para o vestibular. Alguns estudantes passam até quatro anos nas salas de cursos pré-vestibulares, disputando uma vaga com, pelo menos, outros 233.681 concorrentes de todo o Brasil, quando se trata do Enem.

A graduação

Para se tornar um médico, é preciso cursar um bacharelado em Medicina, durante, no mínimo, seis anos. O profissional também precisa se registrar no Conselho de Medicina do seu estado.

Durante esse período, a grade curricular é dividida nos ciclos básico, clínico e internato. As disciplinas estudadas durante a graduação são variadas, com conteúdos sobre parasitologia, citologia, imunologia e bioquímica, até áreas mais específicas sobre genética, reprodução humana, psicologia médica e saúde da criança e do adolescente.

Após a graduação, o estudante pode atuar no setor público ou privado, com clínica geral ou se tornar um especialista em uma das suas 53 áreas. Para isso, é preciso fazer uma residência médica ou especialização, reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, durante o período de dois anos.

Áreas de atuação

Durante a graduação, o futuro médico se depara com uma série de áreas específicas em que poderá atuar. De acordo com dados do Conselho Federal de Medicina, sete dessas especialidades médicas concentram 53% dos profissionais do Brasil.

A Pediatria é a mais procurada, concentrando 11,23% do total de especialistas no país. Outras especialidades que se destacam são Cirurgia Geral, Ginecologia e Obstetrícia, Anestesiologia, Medicina do Trabalho e Cardiologia — algumas delas integram as chamadas áreas básicas da Medicina.

Ortopedia e Traumatologia, Oftalmologia, Radiologia, Dermatologia, Otorrinolaringologia, Cirurgia Plástica e Medicina Intensiva concentram 74% do total de médicos titulados.

Remuneração

O salário de um médico pode sofrer variações, de acordo com o seu local de trabalho, complexidade dos procedimentos que realiza e o valor das consultas. A empresa de seleção e recrutamento Catho avalia que a média nacional de salário para um estudante em residências é de R$ 2.300 por 60 horas semanais. No auge da carreira, esse valor chega a cerca de R$16.000.

Qual a estrutura curricular de Medicina?

Cada universidade oferece uma estrutura curricular única, mas, de maneira geral, 70% das disciplinas são voltadas para as matérias obrigatórias e 30% para as optativas.

Os nomes mais comuns com os quais o estudante vai se deparar durante a graduação são anatomia, citologia, genética, embriologia, farmacologia, histologia, psicologia, parasitologia, epidemiologia, imunologia, antropologia médica, biofísica e bioquímica.

Os dois primeiros anos do curso são destinados a matérias básicas e algumas gerais para a área de saúde, que servem como apoio ao que vem nos próximos semestres. Os anos seguintes são destinados ao atendimento, diagnóstico e cirurgia.

Nos terceiro e quarto ano, chamados de segundo ciclo, os alunos se deparam com aulas de semiologia e propedêutica, voltadas para os exames físicos em pacientes — realizados em hospitais e centros de saúde conveniados.

Muitas universidades indicam um treinamento em postos de saúde de comunidades, em prol de um contato humanístico entre alunos e pacientes.

Nessa fase, é possível interpretar exames, eletrocardiogramas, tomografias, e relacioná-los com os dados clínicos. Os estudantes também aprendem os conceitos fundamentais de diagnóstico de doenças, seus sintomas e tratamentos.

Muitos graduandos se imaginam na universidade já salvando vidas, desde o primeiro semestre. Mas é preciso ter calma. Antes de chegar lá, é exigido muito estudo e dedicação, ainda maiores do que a preparação para o vestibular.

O atendimento aos pacientes começa entre o 5º e 6º ano, quando os estudantes atuam nos hospitais, na fase conhecida como internato. As atividades ocorrem em sala de aula e nos laboratórios, com dissecações de cadáveres, com o intuito de conhecer o funcionamento dos órgãos e do corpo humano em geral, e base para as disciplinas clínicas e cirúrgicas.

Ela completa o ciclo de formação básica e há uma maior dedicação de horas de estudo e atuação, com o objetivo de aprimorar as habilidades e preparar o futuro médico diretamente para o mercado de trabalho.

Internato ou residência? Quais as diferenças?

O curso de Medicina possui muitos termos técnicos que podem dificultar o entendimento de quem deseja seguir na profissão. Além do vestibular, o estudante precisa encarar durante a graduação uma série de outros desafios.

O internato é um estágio realizado nos últimos dois anos, a depender da universidade. É uma exigência acadêmica, em que os estudantes intensificam o seu atendimento aos pacientes, e passam 12 semanas em cada uma das seguintes áreas: Clínica Médica, Pediatria, Ginecologia e Cirurgia. Além disso, eles são apresentados a algumas especialidades como Dermatologia, Oftalmologia, Medicina Preventiva, Psiquiatria e Otorrinolaringologia.

Após o fim dessa etapa, começa a fase de estudos para a residência — realizada quando o estudante já está formado e registrado no Conselho Regional de Medicina. Ou seja, é um médico generalista, também conhecido como clínico geral.

A residência é realizada dentro dos hospitais, durante o período de dois anos. O trabalho possui uma carga de 60 horas semanais, em que o médico se prepara para se tornar um especialista em uma das 53 áreas da profissão.

Pelo menos, 16 mil estudantes de Medicina se formam todos os anos, mas há apenas de 10 a 11 mil vagas oferecidas para as residências em todo o país. Para quem decide não se especializar, a alternativa é continuar atuando como generalista ou se dedicar à pesquisa, em uma pós-graduação, mestrado ou doutorado.

Quais as exigências para atuar no mercado como médico?

Além de se graduar, durante seis anos em um curso de Medicina, um profissional precisa obter um registro no Conselho Regional de Medicina, após a sua formatura.

Desde julho de 2014, novas diretrizes curriculares nacionais passaram a integrar a profissão. Uma delas é a obrigatoriedade de estagiar no Sistema Único de Saúde (SUS), na emergência e no serviço de urgência, com uma carga horária correspondente a 30% do internato.

Outra resolução é que os estudantes serão avaliados pelo governo de dois em dois anos, e o resultado será parte do processo de classificação para os programas de residência médica. As instituições de ensino tem um até dezembro de 2018 para se adequar a essas novas regras.

Para médicos que obtiveram o diploma em instituições do exterior, mas que desejam atuar no Brasil, é preciso passar pelo exame Revalida, criado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC).

A avaliação acontece todos os anos, e é aplicada em universidades públicas de todo o país. Além de uma prova escrita, os profissionais precisam passar por uma prova discursiva e um teste de habilidades clínicas. Os médicos aprovados passam a ter, automaticamente, os seus diplomas revalidados no Brasil.

Além de todas as habilidades práticas e acadêmicas, é essencial que cada profissional também desenvolva o seu próprio lado físico e emocional. A carga horária exaustiva pode comprometer seriamente a saúde de quem atua com Medicina. Controle emocional e dedicação para preservar a vida humana, independentemente de qualquer circunstância, é um juramento feito pelos recém-formados que também deve ser levado por toda a carreira.

Conheça as especializações em Medicina

O curso de Medicina é apenas uma preparação para que o estudante atue de maneira geral na profissão. Após a graduação, ele ainda passará por uma residência médica de dois anos, caso deseje se especializar. O número de especializações em Medicina já chega a 53, o maior dentre todas as profissões do país.

Diante de tantas opções, os graduados ficam em dúvida sobre qual caminho seguir, onde trabalhar ou que área escolher. Muitos jovens têm afinidade com uma delas, mas não a conhecem muito bem; outros preferem se focar nas que possuem maior impacto social; já para alguns, as mais tradicionais, como a Ginecologia e a Traumatologia são as mais atraentes.

A Cirurgia Plástica é uma das mais procuradas e isso acontece, principalmente, porque o ramo da beleza é considerado um dos mais rentáveis. O Brasil é o país que apresenta o maior número de procedimentos plásticos em todo o mundo, superando até mesmo os Estados Unidos.

Para quem ainda não sabe que caminho seguir, a principal dica é pesquisar. Cada especialização possui suas particularidades, seja na forma de atuação, no número de oportunidades oferecidas e na remuneração salarial.

Outra dica é realizar um teste vocacional médico. Um dos mais famosos foi formulado pela Universidade de Virgínia. O futuro médico responde a 148 questões, que são capazes de indicar o percentual de afinidade por uma especialidade médica.

Para facilitar a sua escolha, criamos uma lista com algumas das especializações em Medicina que têm uma maior demanda por profissionais. Confira!

  • Alergologia: diagnóstico e tratamento de reações alérgicas;

  • Anestesiologia: especialização voltada para a aplicação de anestesias. O anestesista é o “braço direito” dos cirurgiões;

  • Cancerologia ou Oncologia: voltada ao diagnóstico e ao tratamento de todos os tipos de câncer;

  • Endoscopia: especialidade que se ocupa do estudo da fisiopatologia e do tratamento de enfermidades que precisam de uma abordagem cirúrgica;

  • Fisiologia: especialização em Medicina focada no funcionamento do corpo humano;

  • Genética: é o estudo dos genes e seu papel na herança das características parentais, das pesquisas com células-tronco e da clonagem humana;

  • Geriatria: especialização da Medicina dedicada ao tratamento de idosos;

  • Gastroenterologia: cuidado e diagnóstico das doenças do aparelho digestivo;

  • Hematologia e Hemoterapia: é o estudo de elementos do sangue, como hemácias, leucócitos e plaquetas;

  • Mastologia: especialidade voltada para o tratamento das mamas;

  • Medicina Esportiva: uma das áreas mais promissoras nos últimos anos, graças ao crescimento do incentivo ao cuidado com o corpo e com a saúde. A Medicina Esportiva é voltada para a prevenção de lesões e tratamentos para problemas físicos, causados pela prática de esportes;

  • Medicina do Tráfego: voltada para a manutenção do bem-estar físico e psíquico do ser humano, com foco na sua mobilidade;

  • Medicina Intensiva: ramo que se ocupa das doenças mais graves ou terminais, o que demanda mais recursos científicos, tecnológicos e conhecimento dos seus especialistas;

  • Medicina Legal: também chamada de Medicina Forense, essa especialidade aplica conhecimentos médicos para solucionar crimes e atender aos interesses da Justiça;

  • Medicina Nuclear: estudo e terapia pelo uso de fármacos;

  • Medicina Preventiva: essa área possui como principal particularidade a prevenção de doenças, em vez do seu tratamento;

  • Nefrologia: parte médica que estuda e trata as doenças do rim;

  • Neurologia: especialização em doenças relativas ao cérebro, ao sistema nervoso central e periférico. Existe ainda o neurocirurgião que trata tumores, doenças degenerativas e traumas físicos. Essa é uma das áreas mais complexas e que apresenta os maiores salários para os seus profissionais;

  • Obstetrícia: área da Medicina que atende às gestantes no período do parto, durante a gravidez e após o nascimento do bebê;

  • Otorrinolaringologia: essa especialidade combina cirurgia e clínica para enfermidades relacionadas ao ouvido, nariz, boca, laringe e faringe;

  • Urologia: os sistemas urinários e o sistema reprodutor masculino são a área de atuação dos profissionais em urologia;

  • Pneumologia: é a parte da Medicina que trata do sistema respiratório;

  • Psiquiatria: muitas pessoas não sabem, mas para se tornar um psiquiatra, é preciso estudar Medicina. Essa é uma das especializações da profissão voltada para a prevenção, atendimento, diagnóstico e tratamento de doenças mentais e psicológicas, como depressão, esquizofrenia e bipolaridade, além de casos de sociopatia e psicopatia;

  • Reumatologia: especialidade que trata do tecido conjuntivo, articulações e doenças autoimunes.

5 dicas para médicos se darem bem no mercado de trabalho

Mesmo com todas as oportunidades trazidas pelo mercado de trabalho, um futuro médico precisa seguir uma série de ações para se destacar e ser reconhecido como um dos melhores na sua área de especialização. Confira cinco dicas essenciais:

Se arrisque em locais diferentes de onde mora

A Medicina é uma profissão repleta de oportunidades. O problema de muitos médicos é concentrar a sua busca apenas nas capitais ou em locais perto da própria casa.

Nos interiores, áreas rurais e nas regiões Norte e Centro-Oeste, faltam profissionais em especialidades como Anestesia, Cirurgia e Neurologia, e sobram vagas para as áreas de emergência no SUS ou pelo programa Mais Médicos.

Em grandes cidades, como São Paulo, há uma concorrência muito grande no mercado de trabalho, por isso, para profissionais que estão em busca de oportunidades, é preciso se arriscar em locais mais distantes ou em cidades menores — onde sobram vagas e o salário pode chegar a mais de R$ 15 mil para recém-formados com trabalho em regime integral.

Fique atento às áreas aquecidas no mercado

Como já dissemos diversas vezes nesse texto, a Medicina conta com mais de 50 especialidades e um vasto campo de atuação para quem deseja ser Clínico Geral. Mas os estudantes, desde a graduação, precisam começar a pesquisar sobre as principais oportunidades do mercado, que costumam mudar com frequência.

Hoje, as áreas mais aquecidas no Brasil são a de Cirurgia Plástica e Neurocirurgia. Especialidades que também contam com uma alta demanda de vagas é a Medicina Diagnóstica, Anestesiologia, Terapia Intensiva e Emergência.

Invista em todo tipo de conhecimento

O curso de Medicina possui uma formação altamente tecnicista, com centenas de conceitos e teorias que podem sobrecarregar os estudantes. Mas é preciso ter certeza que, ao escolher a Medicina, você esteja pronto para estudar pelo resto da vida, e em áreas que nem sempre estarão ligadas à área de saúde.

Para se destacar no mercado de trabalho e criar um diferencial na carreira, além de uma boa formação, é necessário ter conhecimentos em tecnologia, psicologia, noções de ética e direito, finanças, e tudo o que pode contribuir para melhorar o atendimento aos pacientes.

Fortaleça o seu networking

A Medicina é uma profissão que precisa de um bom networking, assim como qualquer outra. Por isso, ainda na universidade, o estudante precisa fortalecer a sua rede de contatos.

Cultive amizades com professores que você respeita e conhece a trajetória profissional, mantenha um diálogo constante com outros médicos que já atuam há alguns anos e que tenham experiência no mercado.

Também valorize e se aproxime de outros profissionais de saúde como enfermeiras, cuidadores e técnicos. Ser amigável é a ordem principal para criar um networking forte e se tornar um médico reconhecido e respeitado.

Não deixe o status da profissão vir antes do seu juramento

A Medicina vem acompanhada, não apenas de uma alta remuneração, mas também de um status privilegiado.

Você lembra que iniciamos esse post com o juramento de Hipócrates, “prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência”?

É preciso sempre relembrar da importância desse juramento e do papel real do médico. Um paciente em situação difícil e exposto a uma doença depositará nessa figura a confiança sobre a sua própria vida.

Por isso, é importante que esses profissionais tenham como prioridades o cuidado e o respeito com o outro, acima de qualquer outra circunstância. Essa postura só reforça a importância e respeito sobre o que a Medicina dever ser.

A Medicina é uma área que exige dedicação e muito valor pelo cuidado humano. Mesmo com uma carga horária de trabalho pesada, que pode comprometer até mesmo a vida pessoal de alguns médicos, essa profissão atrai diversos estudantes, que a colocam como a graduação mais concorrida nos vestibulares e no Enem.

O surgimento de novas doenças e o avanço da ciência exigem profissionais comprometidos em aprender e renovar os seus conhecimentos. Pesquisas com células-tronco, criação de vacinas e medicamentos, estudo da saúde mental, melhora da expectativa e qualidade de vida são alguns dos diferenciais que os médicos trouxeram, e ainda trazem, para as pessoas.

Até mesmo as que acreditam que esses profissionais só buscam uma alta remuneração, um dia são tocadas pelo trabalho que eles desenvolvem e pelo seu poder de salvar vidas. Para se tornar um futuro médico, além de inteligência, é preciso ter um espírito humanista. Se você deseja fazer a diferença no mundo, então, escolheu a profissão certa!

Quanto pode ganhar um médico?

A profissão médica permite diversas áreas de atuação e tipos de trabalho. Um médico recém-formado pode optar por trabalhar em pronto-socorros, por exemplo, em que fará plantões noturnos atendendo casos de urgência e emergência ou, se preferir, pode atuar em um contexto bem diverso, como em uma clínica de Medicina do Trabalho, em horário comercial, fazendo anamneses em geral simples e fornecendo laudos de aptidão para funcionários recém- contratados.

Especialidades mais bem pagas

Da mesma maneira que as funções de um médico podem variar conforme sua especialidade e tipo de trabalho, a remuneração também é bem variável. No Brasil, atualmente, a especialidade médica mais bem paga é a do Cirurgião Plástico, já que o país é o campeão mundial em número de cirurgias realizadas anualmente, como mencionado. Os salários desse especialista são em média de R$18.564,06, por mês, ainda segundo um estudo realizado pelo site de empregos Catho.

Na lista das especialidades mais bem pagas, a Cirurgia Plástica é seguida pela Cirurgia Geral, com salários médios de R$15.975,62, e em terceiro lugar pela Ortopedia, com remuneração média de R$14.353,50. O mercado da Ortopedia tende a crescer nas próximas décadas, já que estudos demográficos apontam para o envelhecimento da população brasileira. Outras especialidades relacionadas à saúde do idoso, como a Geriatria, podem ter suas demandas aumentadas.

Com o quarto lugar no ranking, estão os Médicos Auditores Sênior, com remuneração média de R$9.909,01, seguidos pelos Anestesistas, com salários de R$9.849,27, e pelos Dermatologistas, que recebem cerca de R$9.058,19.

Continuidade dos estudos garante melhores salários

Além das variações de remuneração relacionadas à especialidade médica escolhida, também há diversidade de salários de acordo com a formação acadêmica complementar do profissional após a graduação. O pensamento de que o médico recém-formado terá bons salários garantidos, mesmo sem continuar os estudos, faz parte do senso comum acerca da profissão, mas não corresponde à realidade.

Segundo estudo divulgado pela Revista Exame, médicos que apresentem somente a graduação no currículo ganham em média R$4.690,91. Esse valor pode até triplicar, caso o médico realize mestrado ou doutorado. Profissionais que tenham cursado MBA podem ganhar cerca de R$9.061,76 e os que tenham cursado outras especializações recebem em média R$8.690,91.

É interessante observar que, mesmo o MBA sendo uma especialização com foco administrativo e gerencial, ele tem sido mais valorizado no mercado da saúde do que outras especializações. Isso acontece, porque as habilidades adquiridas pelos estudantes de MBA são úteis em qualquer área. O mercado médico reconhece, portanto, essas competências como diferencial para o profissional com formação nessa especialização.

Domínio de idioma estrangeiro também conta

O nível de fluência em um segundo idioma também garante melhores salários aos médicos. Se o profissional tem nível básico em outra língua, pode ganhar em média R$7.019,59. Esse valor sobe para quase R$9.000,00, caso o médico tenha fluência no segundo idioma.

Supersalários para quem escolhe o interior

Apesar de a taxa de médicos para um grupo de mil habitantes no Brasil ser semelhante às taxas de países desenvolvidos, a distribuição desses profissionais no território brasileiro é profundamente desigual. A maioria dos médicos está concentrada nos grandes centro urbanos, como já foi mencionado. Nesse contexto, os prefeitos de municípios afastados das grandes áreas urbanizadas oferecem verdadeiros supersalários aos médicos, na tentativa de suprir a necessidade da população por atendimento de saúde.

Os salários para médicos que atuem em cidades do interior chegam a ser o triplo da remuneração oferecida nos grandes centros. No município de Joia, por exemplo, a única clínica-geral da cidade chegou a receber R$32.000,00 pelos 21 plantões prestados. O prefeito ainda oferece R$18.000,00 para contratação de novos médicos no município rio grandense, que tem apenas 8,3 mil habitantes.

Além das diferenças de remuneração entre capitais e interior, há variação dos pisos salariais determinados pelos Conselhos Regionais em cada estado do país. O Distrito Federal e o estado do Paraná apresentam os mais altos pisos salariais para médicos, com salários em torno de R$5.400,00. Entre os estados com os menores pisos salariais, estão Goiás, Pará e Amazonas, com valores em torno de R$1.300,00.

Médicos também podem fazer carreira no setor público

A carreira prevista para a classe no SUS, principalmente nas unidades de atendimento básico, é muito pouco atrativa para a maioria dos médicos. Os recém-formados, em sua maioria,  começam a trabalhar nos Centros de Saúde somente até passarem na seleção da residência escolhida e acabam abandonando a posição em busca de melhores colocações no mercado.

Essa realidade, entretanto, sofrerá mudanças. Para fazer a carreira no setor público mais atrativa para os médicos, vários projetos de lei foram elaborados e passam por  tramitações no Congresso, sob o acompanhamento constante do Conselho Federal de Medicina. Os projetos preveem a realização de concurso público para contratação dos médicos, a possibilidade de haver dedicação exclusiva, com permissão para exercício do magistério somente, e remuneração condizente com o mercado. Além disso, são previstos planos de carreira, com base em tempo de trabalho e formação continuada dos profissionais. Com essas mudanças em vista, a carreira médica nos núcleos de atenção básica à saúde do SUS podem se tornar uma opção interessante para os futuros médicos do mercado.

Se a remuneração e carga de trabalho nos Postos de Saúde não têm sido atrativas para os médicos, os hospitais do SUS oferecem boas possibilidades de remuneração. Hospitais públicos do Distrito Federal chegam a pagar R$17.000,00 aos médicos. Já em São Paulo, o  piso da rede pública estadual é de R$13.900,00. Além de bons salários, a rede pública de hospitais oferece a vantagem da estabilidade para seus funcionários.

Conhecer a saúde no mundo é uma possibilidade

Durante o curso de Medicina, uma possibilidade para enriquecimento de experiências é o intercâmbio. Além de conhecer outro país, uma cultura diferente e novas pessoas, o que já é muito enriquecedor, é possível fazer estágios ou residência em hospitais no exterior.

O intercâmbio pode ser realizado por meio de programas do governo, como o Ciências Sem Fronteiras, em que o recém-formado em Medicina realiza sua residência em países como Portugal e Espanha. As negociações entre governo intencionam expandir o programa também para outros países.

Outra opção para realizar esse tipo de experiência é por meio da ONG IFMSA, que realiza intercâmbios para estudantes de Medicina de 119 países ao redor do mundo. A organização oferece programas para viagens nacionais e internacionais.  Por meio de programas do governo ou de outras organizações, o intercâmbio médico é uma excelente maneira de aprimorar o currículo e expandir as vivências do profissional na área de saúde.

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4 Comentários

  1. MARIA JOSE

    GOSTEI MUITO DO ARTIGO MIM AJUDOU MUITO. TENHO 43 ANOS E ESTOU QUERENDO FAZER MEDICINA,AMO MEDICINA,MAS NÃO CONSEGUI FAZER A INSCRIÇÃO PELO PROUNI,CONSEGUI FAZER PSICOLOGIA PELO FIES.MAS VOU FAZER O ENEM NOVAMENTE PARA MEDICINA;

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