O engajamento político do jovem pode mudar o Brasil realmente?

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O engajamento político da sociedade em geral e dos jovens em particular tem sido tema de discussões não só em ambientes universitários como também nas conservas de rua. É notável como a participação da juventude se tornou mais atuante na política nacional com o uso massivo da internet, seja pelas redes sociais ou por aplicativos de mensagens instantâneas.

Ainda assim, a presença dos jovens não se restringe a debates em espaços virtuais, pelo contrário, ela tem invadido as ruas, em diferentes situações, como passeatas, manifestos, intervenções culturais etc. Apesar do ímpeto da juventude, muita gente “mais velha” questiona se os mais novos de fato têm poder para mudar o Brasil de verdade.

Veja, em seguida, algumas características dos jovens que podem impulsionar mudanças positivas e significativas no país. Acompanhe.

Capacidade de engajamento político

Embora pareça que não, uma parcela considerável da juventude busca se engajar politicamente, mesmo que não seja de uma maneira “institucionalizada”, sob a forma de filiação a alguma entidade. Com a facilidade de acesso à informação pela internet hoje em dia, não existente nas gerações anteriores, os jovens têm procurado conhecer o contexto político e se posicionar diante do cenário vigente, mesmo que nem sempre de forma pública.

Nas manifestações populares que ocorreram no Brasil nos últimos anos, uma grande quantidade de participantes era de jovens. É bem verdade que muitos deles defendiam interesses distintos, que envolviam desde questões comportamentais a legais. Os protestos serviram para mostrar a capacidade de organização dos jovens pela internet, por exemplo, por meio das redes sociais.

Além disso, eles utilizaram as ferramentas da web para transmitir em tempo real as manifestações e para emitirem os próprios juízos de valor. Mesmo que essa não tenha sido uma atitude universal dos jovens, ela mostrou que o potencial de atuação dessa classe etária é muito forte. Muitos pensadores de “mais idade” temem que os jovens sejam usados como “massa de manobra” na política, mas a juventude tem dado provas seguidas de que não é tão manipulável como se imagina.

Abertura a novidades

Diversos problemas no Brasil estão ligados a consequências do modelo de administração pública existente no país. Práticas chamadas de patrimonialistas e burocráticas até hoje ainda abrem brechas para que haja casos de corrupção na política, em que se misturam interesses públicos e privados. Muitos dos comportamentos condenáveis são feitos, nesse contexto, devido a questões culturais. A frase “sempre foi assim e ninguém ligou” pode retratar o descuido com a coisa pública.

O mérito dos jovens é que eles não se prendem a tradições e a modismos. Por estarem em uma fase de amadurecimento e de acúmulo de experiências, os mais novos não têm medo de se lançar a novidades. Por exemplo, muitos estudantes utilizam do próprio conhecimento para gerar inovação e, com isso, impactar positivamente a sociedade, por exemplo, com a criação de aplicativos para solucionar diferentes problemas dos dias de hoje.

Nesse caso, enquanto alguém mais velho pode focar apenas as barreiras, o jovem tem mais facilidade para pensar “fora da caixa”, por não se prender a preconceitos e a definições do passado.

Motivação e persistência

A “flor da idade” da juventude, por si só, é capaz de dar o ânimo necessário para que ela não se esmoreça diante dos desafios enfrentados. Em muitas manifestações políticas, os jovens não só são os primeiros a chegar como os últimos a sair. O exercício da capacidade de negociação de conflitos com os mais novos muitas vezes deve ser levado ao limite, devido à persistência com que os jovens defendem os próprios pontos de vista.

Da reforma do ensino médio ao voto facultativo, do uso da internet aos novos tipos de relacionamentos, praticamente todos os assuntos fazem parte das conversas e das ações da juventude. Enquanto no passado certos temas eram considerados tabus, por falta de informação, hoje eles são discutidos devido ao maior compartilhamento de ideias e de diferentes pontos de vista.

Exercício da liberdade

De certa forma, o jovem gosta de ser como a água, livre. Para tanto, busca transpor barreiras para seguir o próprio curso. A juventude gosta de ser, por natureza, indomável. Por isso, prefere aderir a determinado pensamento do que ser conduzida até tal visão de mundo. Como consequência, o jovem gosta de ser questionador, de pesar prós e contras, para só então assumir a defesa de alguma causa.

Nesse sentido, a resistência do jovem pode forçar a classe política a dialogar e até a mudar certas posturas, para poder finalmente conseguir influenciar os mais novos. Como muitas vezes há o conflito entre “analógicos” e “digitais”, nem sempre a comunicação dos políticos consegue repercutir “na mente e no coração” dos mais novos.

Transformação pela educação

Apesar de os jovens serem tidos como imaturos, à medida que o tempo passa, eles se tornam a geração com mais acesso à educação na história brasileira. Dessa maneira, o engajamento político dessa classe só tende a aumentar. Com o ingresso no ensino superior, o jovem passa a comparar ideias, a ter uma maior bagagem de conhecimento, a saber discutir políticas públicas e, em última análise, a desenvolver um pensamento crítico aguçado.

Assim, o jovem consegue organizar argumentos, contrapor pontos de vista e defender os próprios pensamentos. De modo geral, a faculdade capacita o indivíduo a raciocinar e a transformar a realidade na prática. Com esse movimento em grande quantidade, na proporção em que mais jovens ingressam no ensino superior, a tendência é de que eles renovem a política e a sociedade como um todo. Além disso, jovens mais capacitados se tornam uma grande força de desenvolvimento do Brasil, nunca antes vista em tal tamanho como hoje em dia.

Como você pôde notar, várias qualidades são favoráveis aos jovens caso eles queiram de fato gerar mudanças positivas no Brasil, contudo, se isso realmente vai ocorrer, não se pode afirmar com tanta certeza. Afinal, a instabilidade também faz parte do perfil da juventude. No fundo, ela não gosta de ser conduzida, embora nem sempre saiba qual o caminho quer seguir.

Diante da postura de independência de muitos jovens, e não de indiferença como muitos pensam, ganham destaque na política os movimentos da juventude organizada, com diversas vertentes de pensamento. Ainda assim, muitos jovens preferem raciocinar por conta própria, sem aderir a ideias formatadas de certos grupos e sem, necessariamente, ter engajamento político.

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