Qual o impacto da eleição de Donald Trump para o Brasil?

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Você consegue contar quantas vezes leu ou ouviu o nome Donald Trump nos últimos nos tempos? Difícil, não é mesmo? E não é para menos, principalmente depois da surpresa de 9 de novembro. A polêmica eleição de Donald Trump nos Estados Unidos tem provocado especulações, debates e até certa ansiedade ao redor do mundo. Governantes, acadêmicos e a própria sociedade civil buscam antecipar os próximos anos do cenário político e econômico mundial, que se tornou, no mínimo, incerto diante da vitória do republicano.

No Brasil, não é diferente. Muito se diz sobre as influências que o mandato presidencial de Trump pode trazer. Levando em consideração as propostas e as promessas feitas pelo futuro presidente, é possível afirmar que haverá grandes mudanças em relação a atual política externa adotada pelo atual chefe de governo, Barack Obama.

E você com isso? Mesmo que pareça um acontecimento distante, é bem provável que a eleição de Donald Trump provoque mudanças na vida dos brasileiros — e não só para os que moram ou passeiam por lá, mas na vida de todos nós. O Brasil mantém uma forte relação diplomática e econômica com os Estados Unidos e, por isso, as decisões da Casa Branca têm tudo a ver com a gente.

Continue a leitura e entenda como o governo de Trump pode afetar o seu dia a dia:

O que a economia americana tem a ver com a economia brasileira?

Historicamente, o Partido Republicano é conhecido por sua política de liberalismo econômico. Simplificadamente, o termo pode ser traduzido como “livre comércio”. Isso significa que os republicanos acreditam que as relações econômicas internas e entre as nações devem seguir um curso natural, com pouca interferência de governantes por meio de leis, regras e impedimentos.

No entanto, na campanha eleitoral, Donald Trump ­­prometeu ações de proteção à economia dos Estados Unidos. Ele pretende aumentar as tarifas dos produtos importados a fim de priorizar a produção interna.

Acontece que os Estados Unidos é o segundo maior comprador de produtos brasileiros, perdendo apenas para a China. Até outubro de 2016, mais de 12% das exportações do Brasil — o equivalente a US$ 18,819 bilhões — foram direcionados aos norte-americanos.

Por isso, uma vez colocada em prática, a política de Trump de reduzir a entrada de produtos de fora pode intervir, e muito, no desempenho econômico do Brasil. E se tem uma coisa que os últimos anos provaram é que o nosso dia a dia é afetado por crises econômicas. Empregos, salários, preços dos produtos, taxa de juros, finanças pessoais e programas sociais são apenas alguns dos aspectos que oscilam com a instabilidade financeira de uma nação.

Ele conseguirá fazer isso?

É a pergunta que não quer calar. Ainda que o protecionismo econômico seja uma medida adotada por todas as economias, em menor ou em maior grau, a crítica que se faz à intensificação do recurso se baseia na lógica global e descentralizada que a produção manufaturada atual segue. Quer um exemplo?

Imagine um carro de marca norte-americana. Mesmo que a montadora esteja nos Estados Unidos para entregar o produto final nas mãos do consumidor americano, as peças provavelmente terão sido fabricadas em várias partes do mundo. Isso acontece com diversos produtos que consumimos. É por isso que a proposta de Trump parece confusa e aponta para mais um ponto de incerteza em relação à política de comércio exterior dos próximos anos.

Além do mais, muitas multinacionais americanas operam em outros países justamente pela política de incentivo fiscal que oferecem e pelo baixo custo da mão de obra local, como ocorre na China. Tais vantagens competitivas acabam refletindo no preço final dos produtos, que cai em relação à concorrência. Não se sabe bem como a proposta de Trump será aplicada nesse e nos demais casos. É preciso esperar para ver!

O que diz o mercado?

O Banco Central, organização que controla, regulamenta e fiscaliza instituições financeiras do nosso país, manifestou previsões ainda mais pessimistas para a economia brasileira em 2017 devido a vitória do republicano.

Desde a eleição de Donald Trump, o dólar apresentou sucessivas elevações sobre o real, enquanto a bolsa de valores sofreu quedas. Isso representa uma redução da confiança dos investidores em economias emergentes, como a nossa, o que costuma acontecer em fases de incertezas em torno do mercado mundial. Em outras palavras: caso os investidores não recuperem a confiança na economia brasileira, teremos menos dinheiro circulando por aqui.

E as demais relações internacionais?

Além dos acordos comerciais, o futuro das relações diplomáticas com as demais nações também é um fator imprevisível. O discurso do republicano aponta para uma tentativa de crescimento e imposição dos Estados Unidos na política mundial. O Brasil não deve ser tão afetado nesse quesito, considerando que Trump está com a atenção voltada para outras nações e não tanto para a América Latina.

A promessa do muro para barrar os imigrantes será cumprida?

A declaração que mais deu o que falar durante a eleição de Donald Trump foi sobre o muro que ele prometeu construir na fronteira com o México. O republicano não parou por aí, afirmando que os próprios mexicanos pagariam pela construção.

Difícil dizer se a promessa será cumprida. O fato é que o futuro presidente assume uma posição de intolerância em relação a imigrantes, inclusive, aos latinos. Quem deseja passar uma temporada em terras gringas pode enfrentar obstáculos para retirar o visto.

Segundo o republicano, o visto de trabalho para latinos deve ser incentivado por períodos limitados e com o único objetivo de preencher as vagas de subemprego. Para os latinos que moram nos Estados Unidos, a tendência é ficar mais difícil permanecer no país, já que o sonho da cidadania pode ficar mais distante e a fiscalização de imigrantes irregulares mais intensa.

A eleição de Donald Trump chacoalhou o mundo inteiro. Só o tempo dirá se as previsões se concretizarão, mas, com base nas declarações polêmicas da campanha eleitoral e na virada do resultado, o que podemos afirmar com toda certeza é que monotonia não fará parte do próximo mandato americano.

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