Residência em Medicina: saiba como funciona

Tempo de leitura: 7 minutos

Você está imerso na pressão do vestibular e pensando em fazer Medicina? Pois lembre-se de que conseguir uma vaga em uma residência em Medicina será tarefa bem mais complicada.

Aliás, caso você esteja prestes a escolher a área médica como graduação, é fundamental conhecer antes como funciona esse curso de especialização, pois ele vai “atrasar” sua entrada definitiva no mercado de trabalho. Em média, a duração de uma residência médica é de 2 anos, mas, em alguns casos esporádicos — como a área de neurocirurgia —, pode chegar a 5 anos.

É obrigatório? Há remuneração nesse período? Tem vagas para todos? Vamos esclarecer tudo isso a partir de agora. Acompanhe:

A residência em Medicina

Ao concluir a graduação e receber o registro no Conselho Regional de Medicina, o profissional de Medicina pode exercer suas funções como médico generalista em instituições de saúde. Se quiser, entretanto, aprofundar seus estudos e adquirir uma especialidade, o caminho mais comum a ser trilhado é fazer uma residência em Medicina.

A residência médica é uma modalidade de pós-graduação que funciona nas instituições de saúde, e é por meio delas os recém-formados realizarão atividades práticas para consolidar, aprofundar e harmonizar seus conhecimentos teóricos ao ambiente hospitalar, sob a supervisão de médicos especialistas.

Considerado o “padrão ouro” da especialização médica, a residência é uma excelente oportunidade para que o formado acompanhe casos reais, experimentando o dia a dia da atuação médica e agregando know-how clínico para atuar no mercado de trabalho em nível de excelência no futuro.

Um médico residente terá as seguintes atribuições em um hospital:

  • acompanhar os pacientes do setor que estejam em regime de internação;
  • substituir eventualmente os médicos do estafe;
  • responsabilizar-se pelos casos de urgência em sua especialidade;
  • realizar o atendimento nos ambulatórios especializados, se possível, sob supervisão direta do estafe;
  • participar dos plantões da instituição.

Se você quiser saber mais sobre o tema, dê uma olhada no link do regulamento interno de residência médica do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.

Por fim, vale lembrar também que a responsabilização jurídica de um médico residente por danos causados aos pacientes, via de regra, obedece às mesmas regras que estabelecem a responsabilização dos médicos em geral.

Os requisitos para a residência em Medicina

A residência é uma atividade remunerada, exercida em instituições de saúde credenciadas, mas o número de vagas no país costuma ser bem menor do que a demanda, o que torna as provas de seleção extremamente difíceis.

O processo seletivo, em geral, é dividido em duas fases:

A primeira fase

Na primeira fase, há uma prova teórica, na qual serão cobrados conhecimentos como:

  • Clínica Médica;
  • Cirurgia Geral;
  • Ginecologia e Obstetrícia;
  • Pediatria;
  • e Medicina Preventiva e Social.

As disciplinas exigidas variam de acordo com a especialidade de interesse, e essa fase (que cobra resolução de casos clínicos) possui maior peso na análise da nota final.

A segunda fase

A segunda fase costuma ser a de “análise e arguição curricular”, feita por uma banca examinadora especializada, que vai pontuar e ranquear os currículos de acordo com a experiência e a vida acadêmica pregressa do candidato.

Acha que é só isso? Para ser habilitado a realizar as provas citadas, há ainda outras exigências. A título de exemplo, os concursos de residência Médica exigem o registro no CRM. A razão é que, mesmo após formado, só é possível exercer a medicina após o devido registro profissional no conselho.

Outra questão é que, de acordo com a resolução CNRM nº 02/2006, do Conselho Nacional de residência Médica, os programas dessa natureza poderão ocorrer por acesso direto (após aprovação em provas de seleção) ou somente após o cumprimento de pré-requisitos, a depender da especialidade a ser seguida.

Confira a lista dos programas de residência e os pré-requisitos de cada especialidade.

A concorrência no Brasil

O Brasil teve, em 2015, 6.545 vagas de residência médica, um aumento de 19% em relação ao ano anterior. O problema é que o país forma anualmente mais de 16 mil médicos, o que explicita o imenso deficit na área.

Os candidatos que não conseguem aprovação em nenhum programa de residência acabam migrando para os cursos de especialização lato sensu que, entretanto, têm estrutura e reconhecimentos no mercado bem diferentes em comparação com os programas desfrutados pelos profissionais residentes.

A alta concorrência por uma vaga estimulou o surgimento de cursinhos preparatórios, nos moldes dos cursos para aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Como o percentual de recém-formados em Medicina que lutam por uma vaga na residência Médica ultrapassa os 70%, não é incomum encontrar profissionais que estudam um ou dois anos inteiros em busca da aprovação em programa como esses.

Sem nenhuma especialização, o médico poderá atuar apenas como clínico geral.

As diferenças entre residência Médica e especialização

Embora uma especialização comum também seja considerada pós-graduação, há profundas algumas distinções entre residência Médica e especialização lato sensu em Medicina:

O título

Diferentemente de outras profissões, um curso de especialização lato sensu na área médica não confere de imediato o título de especialista. Após a conclusão, o estudante ainda deverá ser aprovado em uma prova de título de especialista, reconhecida pela Associação Médica Brasileira em sua área de atuação.

Por outro lado, os programas credenciados pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) fornecem, ao final da pós-graduação, título de especialista reconhecido pelo MEC, de forma imediata.

A remuneração

Atualmente, o valor da bolsa-auxílio paga aos profissionais de saúde residentes é de R$ 3.330,43. Quem faz uma especialização tradicional, entretanto, além de não receber nenhuma remuneração durante o curso, em geral, têm que pagar por ele.

A carga horária

Os cursos de especialização lato sensu são regulados pela Resolução CNE 01/01, que fixa a carga horária mínima de 360 horas para sua conclusão. Não há, todavia, nenhuma determinação com relação à carga máxima.

A residência médica, por outro lado, tem carga horária máxima de 2.880 horas, observando o máximo de 60 horas semanais, aí incluídas 24 horas de plantões. O dia de folga semanal e os 30 dias de férias anuais não estão incluídos na carga horária anual.

A importância da residência em Medicina

Embora não seja obrigatório fazer uma Residência, a maioria dos formados almeja uma vaga nessa modalidade especial de pós-graduação, especialmente por perceberem que as faculdades deixam para os programas de residência toda a carga de aprendizado prático da área. Essa peculiaridade explica por que o percentual de reprovação dos alunos recém-formados em Medicina no exame dos Conselhos Regionais de Medicina costuma ultrapassar os 50%.

Agora que você conheceu um pouquinho mais sobre o universo da residência em Medicina e dos desafios que enfrentará após formado na área médica, aproveite para descobrir agora se você tem mesmo vocação para as Ciências Biológicas!

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