Trabalho voluntário: o que você deve saber para aproveitar ao máximo

Tempo de leitura: 18 minutos

Pessoas em todo o mundo se engajam em ações de voluntariado, por uma grande variedade de razões: ajudar eliminar a pobreza, garantir educação básica e de saúde, superar questões de desenvolvimento, reduzir os riscos de desastre e combater a exclusão social.

Conhecer novas realidades, ter experiências de vida distintas do que você já vivenciou, contribuir para a transformação social e o bem-estar do próximo e, ainda, somar capacidades que farão a diferença na sua vida profissional. O trabalho voluntário agrega tudo isso à sua formação. Quer saber mais sobre ele? Então, nos acompanha neste e-book!

Trabalho voluntário em alta

Cada vez mais, o trabalho voluntário tem sua importância reconhecida pela sociedade. Empresas e empregadores costumam valorizar pessoas que têm no currículo atividades voluntárias, por exemplo.

Desde 2001, ano Global do Voluntariado, outorgado pela Organização das Nações Unidas, a prática do voluntariado tem crescido e sido reconhecida cada vez mais. O voluntariado é globalmente reconhecido como uma das iniciativas mais marcantes da contemporaneidade.

Essa atividade é tão importante que existe uma data no ano exclusiva para comemorá-la. Desde o ano de 1985, no dia 5 de dezembro é comemorado o Dia Internacional do Voluntário para que o voluntariado seja valorizado, incentivado e não esquecido.

Nesse e-book explicamos porque o trabalho voluntário é bem-visto pelo mercado, como ele contribui para você conhecer outras realidades, o tirando da sua zona de conforto, aprendendo a trabalhar em equipe e ajudando o próximo.

Por que o trabalho voluntário é tão bem-visto?

O mercado vê proatividade, capacidade de trabalho em equipe e flexibilidade em pessoas que passaram por experiências de voluntariado. Isso tudo já um grande diferencial no perfil profissional desejado para o cenário atual.

Além disso, os desafios do voluntariado fazem com que os envolvidos tenham que sair das caixinhas muitas vezes encontradas em outras experiências profissionais, como o estágio, propiciando o desenvolvimento de habilidades muito mais abrangentes pelos desafios que apresenta, além de dar a oportunidade para a experimentação na busca de soluções – prática muitas vezes limitada em grandes empresas.

Num mundo marcado por relações monetarizadas, trabalhar sem a intenção de receber uma remuneração em dinheiro é um gesto enorme de humanidade e para uma sociedade mais justa. O voluntariado é motivado por valores como justiça, equidade e liberdade. Uma sociedade que promove e se engaja no voluntariado é uma sociedade cidadã.

A necessidade de conhecer uma outra realidade

Vivemos numa sociedade diversa e ainda marcada por profundas desigualdades. O voluntariado possibilita que os envolvidos transformem sua leitura do mundo. Não é à-toa que mais de 1 bilhão de pessoas, segundo a ONU, se engajam em ações voluntárias em todo o mundo.

O voluntariado, para a ONU, é uma expressão básica das relações humanas. É uma maneira de fazer as pessoas participarem das suas sociedades e sentirem que elas são importantes para os outros. Uma sociedade saudável é aquela na qual cidadãos como você se engajam na transformação e no conhecimento da vida de outro cidadão que necessita de ajuda.

A saída da zona de conforto

O voluntariado é um ótimo caminho para você testar os seus limites e, mais do que isso, sair deles. Ter contato com a diversidade e ter a oportunidade de enriquecê-la e ser por ela transformado. O Brasil é um país marcado por realidades diversas. E o voluntariado é uma forma de ter contato com realidades para além daquelas em que você foi socializado.

O voluntariado é uma possibilidade de contribuir com aquilo que se sabe fazer, mas também um convite para aprender a fazer algo de novo que seja, num determinado momento, fundamental para a qualidade de vida ou para trazer conforto à alguém ou a um grupo de pessoas que necessita de atenção.

O desafio de trabalhar com poucos recursos

Todos os tipos de organização realizam ações de voluntariado nos dias de hoje. Mas a maior parte das ações de voluntariado é feito a partir da inovação da qualidade das relações sociais, mais do que pelo uso de grandes quantias de recursos financeiros. Trabalhar com o voluntariado envolve o desafios de trabalhar com poucos recursos e o desenvolvimento da criatividade.

A possibilidade de ajudar o próximo

Não há satisfação maior do que saber que um gesto ou uma soma de ações por você realizada foi capaz de mudar a vida de alguém. Isso é um ganho para você e para o beneficiário da sua ação.

Num mundo em que a solidariedade é cada vez mais difícil de ser encontrada, você fará uma grande diferença na vida de muitas pessoas, com  consequências que poderão ser lembradas por muitos e muitos anos.

O voluntariado pode, ainda, ser um caminho para a preservação da natureza, para o cuidado de animais ou para a melhoria da qualidade das águas.

O desenvolvimento pessoal como prioridade

Um dos grandes êxitos do voluntariado é a sua capacidade de transformação do desenvolvimento pessoal. Além disso, o voluntariado, quando realizado com qualidade, transforma que dele participa num cidadão mais consciente das diversidades, limitações e necessidades da sua sociedade.

O trabalho voluntário também torna seus envolvidos em pessoas que reconhecem na capacidade de ação individual uma chave para mudança das estruturas da realidade, rompendo com a passividade diante dos desafios que nos cercam a todo o momento. Ser voluntário é criar oportunidade de construir amizades, fomentar novas experiências pessoais, e, por que não?, até mesmo divertir-se.

Os benefícios para a vida profissional

Como já elencamos, o voluntariado pode ser lido como uma chave importante na escolha de profissionais pelas empresas. O voluntariado é indício de flexibilidade, pró-atividade, e capacidade de trabalho em equipe.

O voluntário é alguém que enfrentou desafios fora da sua zona de conforto e soube colocar novas ideias em prática. De acordo com um estudo de 2013, feito pela Delloite, empresa especializada em consultorias, 80% dos diretores de recursos humanos consideram como significativas as experiências de voluntariado como requisito para contratação de um novo funcionário.

Mas atenção! Não faça voluntariado somente para ganhar emprego novo. Sair por aí participando de experiências isoladas de voluntariado não demonstra compromisso e seriedade. É preciso que a sua experiência de voluntariado seja robusta e equilibrada, apontando para uma trajetória. Forçar-se a fazer algo somente para aparecer com o perfil de voluntário pode ser um tiro a sair pela culatra.

O voluntariado ainda pode ser um bom caminho, para quem não consegue emprego, ter contato com outras pessoas, estabelecer redes que podem fomentar o encontro de um futuro emprego. O voluntariado, para o desempregado, é ainda um caminho de apontar para os seus futuros chefes, que você não passou o tempo sem emprego sentado em frente àTV, mas contribuindo para ações transformadoras, que exercitaram sua mente e lhe trouxeram aprendizado.

Olhando para todos esses fatores, na hora da seleção, diante de dois profissionais com perfis parecidos, a escolha da empresa, certamente, será pela pessoa que passou por uma experiência de voluntariado. E por seus benefícios, há, inclusive, empresas que estimulam a existência de programas de voluntariado no interior das suas unidades e nas comunidades dos seus entornos.

O conhecimento no desenvolvimento de projetos

Voluntariado não é um gesto de caridade. Ele pode ser marcado por uma única ação, como a reforma de uma creche, um mutirão para a construção de uma escola, ou uma rua de lazer na periferia no dia das crianças.

Em todas essas ações, no entanto, um elemento é fundamental: o planejamento. É preciso saber quais recursos serão utilizados – materiais, humanos, intelectuais. É preciso mobilizar pessoas e preparar a ação. Por tudo isso, o voluntariado é uma experiência rica para o desenvolvimento da qualidade de planejar projetos.

O trabalho voluntário como via de mão dupla

O trabalho voluntário é feito do esforço de quem se dispõem a trabalhar pelo outro. Mas, ao mesmo tempo, também é um caminho em que o esforço é convertido em retribuição. Todo o gasto de energia dispensado é transformado, num caminho inverso, em aprendizado, contato humano, satisfação, convivência com o diferente e transformação das suas percepções sobre o mundo.

O voluntariado, além disso, pode ser um caminho para que cidadãos construam resiliência e, desenvolvam seus sensos de responsabilidade com suas comunidades e fortaleçam ações coletivas já existentes em prol de uma causa. Traz, assim, resultados das pessoas para as pessoas.

O voluntariado fortalece o espaço público, o engajamento cívico, proporciona a inclusão social, fortalece a solidariedade e solidifica o pertencimento de quem participa com a comunidade na qual está integrado.

Voluntariado como um caminho para cursos de pós-graduação

Muito além do universo empresarial, as ações de voluntariado podem ser um grande diferencial para aqueles que pretendem seguir carreiras acadêmicas fora do Brasil. Tanto nos Estados Unidos quanto na Europa e na Oceania, muitas universidades de referência consideram não só um bom currículo escolar e os certificados de domínio de inglês na hora de selecionar os seus futuros alunos.

Na análise de quem será escolhido para entrar, a experiência do voluntariado pode ser um diferencial que aponta para a dinamicidade, capacidade crítica e preocupação com as dinâmicas sociais que cercam o candidato. O voluntariado aponta que a formação do aluno vai além da torre de marfim que muitas vezes cercam o mundo universitário e que impede o aluno de ter contatos com experiências mais diversas.

Como começar

Um bom caminho para começar um trabalho voluntário é se propor a fazer aquilo no qual você tem alguma habilidade e se sinta confortável. Com o tempo, no entanto, é interessante que você caminhe para outras áreas e possa desenvolver outras habilidades.

Para construir algo maior, você pode reunir um grupo de pessoas que tenham semelhanças em seus interesses e habilidades. Dentre essas pessoas, vocês podem eleger uma pessoa como lideranças e, a partir daí, construir um plano de ações, com diretrizes, metas e crenças que norteiam a atuação do grupo.

A partir daí, é possível criar um plano de atividades com o público prioritário de ações e quais atividades podem ser feitas para que aquelas pessoas recebam as ações da melhor maneira possível.

Outro caminho é ir atrás de organizações que, tradicionalmente, valorizam o voluntariado, como a Cruz Vermelha, o Greenpeace, entidades ligadas às igrejas, da área da infância de assistência social. A ONU também tem seu próprio programa de voluntariado, mas que exige que o participante tenha o mínimo de 25 anos e fale inglês, espanhol ou francês.

Alguns campos de ação para o voluntariado

Listamos aqui outras possibilidades de voluntariado que você deve encontrar na sua cidade ou que têm ganhado força nos últimos anos.

1. Cuidado de pessoas idosa

O Brasil tem sentido um grande crescimento da população idosa, nos últimos anos, e a tendência é que esse quadro aumente ainda mais nas próximas décadas. Além de casas de repouso, muitas vezes mantidas por instituições religiosas, a assistência aos idosos é feita pelo poder públicos em espaços como os Centros de Referência em Assistência Social (Cras) das cidades.

O trabalho pode envolver vários aspectos, desde tarefas mais simples, como acompanhar essas pessoas em passeios em praças e parques da cidade, até o auxílio na higiene pessoal e na organização do espaço doméstico. Às vezes, uma simples conversa com os idosos de uma casa de repouso é suficiente para encher uma vida de alegria.

2. Contador de histórias

Aliás, além dos idosos, várias outras pessoas em situação de dificuldade, em hospitais e orfanatos, por exemplo, podem querer que você se aproxime para ouvirem a sua voz. Vários projetos trabalham recrutando voluntários para a contação de histórias. Você pode levar livros ou, se for bom no assunto, contar o seu próprio “causo”.

3. Empoderamento feminino

Dar voz e força para as mulheres, que ainda sofrem grandes desigualdades no acesso ao mercado de trabalho, por exemplo, é algo de extrema relevância no mundo contemporâneo. Redes de mulheres que dão suporte umas às outras têm proliferado nas grandes cidades e é possível encontra-las numa rápida pesquisa no seu Facebook.

Muitos coletivos feministas têm trabalhado no suporte à autonomia de mulheres pobres, negras e de periferia, em atividades como suporte ao desenvolvimento educacional (com o auxílio nos estudos para entrada na universidade, por exemplo), ou no desenvolvimento de negócios que contribuam para a independência financeira.

4. Combate à violência contra a mulher

Também com relação às questões de gênero, muitos grupos e instituições têm trabalhado no auxílio às mulheres vítimas de violência – na maior parte das vezes física, e cometida no ambiente doméstico.

As atividades envolvem trabalho de comunicação (mostrar para a sociedade que a violência doméstica existe e não pode ser tolerada), a sensibilização das vítimas para procura de suporte psicológico e de saúde, e o acolhimento dessas mulheres. No âmbito jurídico, trabalha-se para a responsabilização dos agressores.

Dessa forma, este é um campo que precisa do suporte de estudantes, que por exemplo, atuam nas áreas de comunicação, psicologia, saúde, serviço social e direito.

5. Proteção ambiental

A questão ambiental é talvez a bandeira mais significativa a ganhar espaço no debate público mundial nos últimos cem anos, já que envolve a continuidade da vida do planeta e dos seres humanos que nele habitam – ou seja, de todos nós. Há vários trabalhos sendo feito para a proteção ambiental e não é preciso ir até à Amazônia para encontra-los.

Eles envolvem desde o recolhimento adequado dos resíduos sólidos nas cidades, dando suporte, por exemplo, à coleta seletiva ou a separação do lixo reciclável por catadores de papel, passando pelo cuidado na manutenção de áreas verdes, e recuperação (com limpeza e plantio de mudas) de matas ciliares de córregos.

O trabalho também pode contar com ações de proteção aos animais, como acolhimento de cães e gatos vítimas de maus tratos ou abandonados pelos donos.

6. Leve animais para passear

Por falar em animais, muita gente, devido à rotina de trabalho pesado, não tem tempo de levar os seus animais para passear. Você pode se voluntariar, no seu condomínio, por exemplo, para levar os cachorros dos vizinhos para tomar um ar na rua algumas vezes por semana. Chame amigos, monte uma escala para se revezarem e faça a vida dos pets da redondeza mais completa!

7. Populações em áreas de risco social

Várias ONGs e entidades sociais promovem ações de suporte às populações que vivem em área de risco social, seja pelos grandes índices de violência, seja pela pobreza. A atuação envolve desde a realização de oficinas lúdicas com crianças e adolescentes, passado pela realização de debates sobre a violência e pela promoção de cursos de formação educacional e profissionalizante.

8. Suporte educacional

Como já citado, aliás, o suporte educacional a pessoas que pretendem entrar nas universidades tem ganhado cada vez mais destaque. Várias entidades oferecem cursinhos preparatórios para o Enem a baixo custo ou de forma gratuita. Você pode contribuir, dado aulas de temáticas na qual tem mais afinidade – português, matemática, física, química, línguas.

E o fato de você ser jovem e ter passado pela experiência de entrar numa faculdade ou universidade é um grande diferencial para criar proximidade de mostrar para os seus alunos que é possível chegar lá!

Além disso, é possível trabalhar com reforço de conteúdo em escolas públicas, em atividade extra turno. Procure a diretora ou um professor conhecido da escola do seu bairro, converse para saber quais são as demandas dos alunos e proponha, junto com amigos, aulas em dois ou três dias da semana!

9. Pessoas dependentes químicas

Um grave problema social que acomete todas as classes sociais é a dependência química. O suporte para a recuperação exige acompanhamento técnico rigoroso, mas espaços de tratamento, muitas vezes, precisam de pessoas para trabalhos em áreas de recepção, na coleta de alimentos e roupas para o tratamento dos dependentes.

10. Auxílio à população de rua

Moradores de rua estão dentro do conjunto mais vulnerável da população, afinal de contas, não tem um teto para proteção e muitas vezes foram parar ali por problemas com a família, devido à dependência química ou ao consumo de álcool.

Muitos simplesmente não tiveram oportunidades na vida ou são vítimas de distúrbios psiquiátricos. Vários grupos atuam no suporte a essa parcela da população, seja ofertando alimento nas noites de frio, seja oferendo suporte para que os moradores encontrem um emprego, se reconciliem com a família ou encontrem um novo lar.

11. Construção de moradias

Por falar em falta de lar, projetos interessantes, como o Teto, em São Paulo, têm atuado na construção de moradias populares a baixo custo, em zonas de periferia. São feitos mutirões para a arrecadação de material de construção e também para a construção das unidades habitacionais. Muitas vezes, os mutirões ocorrem nos finais de semana, o que facilita a vida de quem trabalha e estuda o dia inteiro.

12. Prática esportiva

Seu campo de formação é a Educação Física ou a Fisioterapia? Com certeza você já pensou em dar oficinas de ginástica, aulas de futebol, vôlei ou atletismo? Atividades físicas são fundamentais para o desenvolvimento pleno do ser humano, para a prevenção de doenças, bem-estar e melhoria da qualidade de vida em geral.

Procure escolinhas, associações comunitárias e monte suas turmas! Pode ser naquele campinho de terra abandonado na várzea do rio do seu bairro. Vai fazer a alegria da criançada e dos adultos também.

Regulamentação: a lei do trabalho voluntário

Lembre-se, que, caso você vá trabalhar com alguma organização, você atuará protegido por lei e dentro de uma regulamentação específica, a lei do trabalho voluntário.

Desde 1998 o Brasil conta com uma lei que regulamenta a atividade do voluntário. Além de não ser remunerado, a lei informa que o trabalho voluntário pode ter objetivos “cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social”. Ainda de acordo com a legislação, o voluntariado não é enquadrado como vínculo de emprego, tampouco deve possuir natureza previdenciária.

A lei determina que um termo de adesão entre o voluntário e a entidade que coordena as ações de voluntariado, quando existente, celebrem um termo de parceria antes do início das atividades. Não há órgãos que regulamentem o trabalho voluntário no país, por isso é preciso que haja bom senso, quando uma outra instituição coordena as atividades.

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